terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Missões lunares de novos veículos espaciais

A Rússia planeja desenvolver um novo veículo espacial superpesado. Entre as missões do foguete-portador figuram a exploração da Lua e voos rumo a planetas distantes do Sistema Solar. Será que o país tem um plano único de estudo do espaço que não pode ser realizado sem o semelhante veículo espacial?

No final de janeiro, a mídia citou uma declaração do chefe da Agência Espacial Federal, Oleg Ostapenko, sobre os planos de desenvolvimento de um foguete-portador da classe superpesada. Ainda antes, no fim do ano passado, tornou-se conhecido que Oleg Ostapenko não considera o Angara, desenvolvido no bureau de projeção Khrunichev como um modelo conveniente desta classe: “…estamos enfrentando o problema do desenvolvimento de um novo veículo espacial da classe superpesada, destinado inclusive para uma missão tripulada rumo à Lua. Temos muitas perguntas em relação ao Angara. Será que devemos tomá-lo como base para o desenvolvimento de um foguete-portador superpesado?”

O desenvolvimento de um veículo espacial superpesado faz parte das “Bases da política estatal da Federação Russa na área da atividade cósmica até 2030 e para uma perspetiva mais longa”, devendo ser concluído para 2030.

De acordo com Oleg Ostapenko, tal foguete deverá ser capaz de colocar em órbita baixa de apoio uma carga de cerca de 80 toneladas e, em perspectiva, uma carga superior a 160 toneladas. Destaque-se a título de comparação que o Saturn 5, foguete-portador que levou astronautas para a Lua, podia transportar cerca de 140 toneladas, enquanto o veículo soviético H-1 em diferentes modificações, que não foi lançado para o espaço, tinha capacidade de colocar em órbita cerca de 100 toneladas. O Proton é capaz de colocar em órbita 23 toneladas de carga útil.

A história de voos espaciais prova que o êxito de foguetes depende muito das tarefas para as quais eles estão sendo construídos. O Saturn 5 e o H-1 foram desenvolvidos para ganhar a “corrida lunar”. Após o seu fim o veículo espacial norte-americano não foi utilizado mais. O mesmo fim triste teve a história do superpesado Energia que se projetava como um foguete-portador universal prometedor para muitas missões, inclusive para a construção de novas estações orbitais e voos tripulados em direção a outros planetas.

O chefe da Roscosmos referiu como tarefa principal do novo foguetão superpesado a exploração da Lua, missões tripuladas rumo ao nosso satélite e a construção de uma base lunar.

Mais uma tarefa possível foi mencionada pelo diretor do Instituto de Pesquisas Espaciais e vice-presidente da Academia de Ciências da Rússia, Lev Zeleny: o estudo de satélites de planetas gigantes, por exemplo, de uma das luas de Júpiter , Europa. A massa, garantida por tal foguetão, permite proteger com maior segurança da radiação o aparelho e equipá-lo com mais instrumentos científicos. O conflito entre cientistas e engenheiros consiste em que as tarefas científicas interessantes devem ser resolvidas no quadro de limitações rigorosas de peso e de energia. Mas é pouco provável que o foguete-portador superpesado seja utilizado apenas para servir a ciência fundamental. Pelo visto, voos de sondas automáticas pelo Sistema Solar só vão completar o programa principal de tal foguete.

Contudo, não se sabe ainda o conteúdo desse programa principal. Falando restritamente, a Rússia não tem um programa lunar único à semelhança de outros países, sem contar o programa da China. A Lua é frequentemente mencionada nas “Bases”, mas sem um plano nítido de sua exploração: o satélite terrestre figura paralelamente a satélites de Júpiter e laboratórios astrofísicos. Voos tripulados para o nosso satélite e a construção de uma base lunar são remetidos para os tempos após 2030. Antes daquela altura, são previstas missões automáticas de estudo da Lua a partir do espaço e da superfície, incluindo a recolha de solo lunar.

No entanto, atualmente, as próprias “Bases” estão sendo revistas cardinalmente. Possivelmente, após a revisão, teremos um documento com um plano mais nítido da atividade espacial futura e a especificação concreta das tarefas que não podem ser resolvidas sem tal veículo espacial superpesado. Por enquanto, o futuro desse foguete-portador, tal como o de colônias lunares, são confusos.

Voz da Rússia

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