sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Tensão nas fronteiras da Ucrânia está aumentando

À medida que prosseguem os combates nas ruas de Kiev, a tensão está crescendo rapidamente na vizinha Moldávia.

No final deste mês devem recomeçar as negociações sobre a solução do problema da Transnístria – e os participantes do processo se estão apressando a fortalecer suas posições.

O Parlamento Europeu está descontente com o presidente romeno Traian Basescu, a Moldávia está dececionada com a União Europeia, e a Transnístria se pronuncia cada vez mais ativamente em favor da integração com a Rússia.

A razão para a nova escalada da tensão – felizmente, por enquanto ainda verbal, – foi a declaração dura como nunca do líder do grupo de socialistas e democratas no Parlamento Europeu, Hannes Swoboda: “É muito estranho que, numa altura em que a Moldávia está numa situação difícil, o presidente da Romênia queira, de uma forma ou de outra, absorver a Moldávia”. Foi assim que o deputado comentou as recentes declarações do líder romeno de que a adesão da Moldávia é um “projeto nacional” para Bucareste.

Ora o próprio eurodeputado tampouco conseguiu resistir a fazer afirmações duvidosas. Por exemplo, ele mencionou a pressão alegadamente exercida sobre a Moldávia pela Rússia, e até mesmo uma alegada ameaça proveniente da capital russa. Foi nesses termos que ele delineou a cooperação entre Moscou e Transnístria, cuja população na sua grande maioria tem passaportes russos. Ao mesmo tempo, a posição oficial da Rússia continua sendo o reconhecimento da soberania e integridade territorial da Moldávia dentro de suas fronteiras atuais.

O patetismo da declaração de Hannes Swoboda encaixa bem com a ideia das tentativas de salvar a todo o custo o programa da União Europeia Parceria Oriental, após o seu fracasso na Ucrânia. O diretor do Centro de Estudos Políticos de Kiev Mikhail Pogrebinsky nota o seguinte:

“Tudo isso é feito sutilmente. Menciona-se um fato que, digamos, está desatualizado há duas semanas. Mas ele é mencionado como atual. Isto é um truque bastante sutil. Da mesma forma, os comentários também podem ser relacionados a um ou outro fato consumado”.

Entretanto, as próprias autoridades moldavas também decidiram se distanciar tanto de Bucareste como de Bruxelas. Em Chisinau, ouvem-se cada vez mais vozes de insatisfação com as políticas da União Europeia para o Leste.

E a questão principal é saber em que estado a Moldávia pode aderir à UE – ou nas suas fronteiras atuais ou sem a Transnístria e a Gagaúzia, que se pronunciaram em favor da integração com a Rússia, ou – segundo o sonho de Basescu – como parte da Romênia. Neste último caso, não está claro o que fazer com os distritos “rebeldes”. O cientista político Boris Shmelev afirma o seguinte:

“Como é sempre o caso na história de todos os países, em condições semelhantes agravam-se as relações interétnicas. A questão étnica passa a ser usada para fins políticos. Isso é alimentado por partidos nacionalistas que tentam fortalecer as suas posições políticas na onda de nacionalismo. É absolutamente evidente que na Romênia e na Hungria está atualmente acontecendo uma ascensão do nacionalismo. Este processo é difícil de parar, e é até mesmo difícil imaginar a que isso pode levar”.

Segundo os resultados, divulgados pela agência de notícias nacional Agerpres, de uma pesquisa sociológica realizada na Romênia em abril de 2013, os romenos consideram que os principais inimigos de seu país são a Rússia, a Ucrânia e a Hungria. Em Bucareste falam cada vez mais do “retorno” não só da Moldávia, mas também da Bucovina, que hoje faz parte da Ucrânia. No entanto, em Budapeste não menos frequentemente soam vozes a favor da “reunificação” com a Transilvânia.

E se a União Europeia por enquanto está de alguma forma aguentando os choques financeiros, ela pode já não sobreviver uma tal reformatação etno-política. Uma “Europa Unida” separada em apartamentos étnicos vivendo numa atmosfera de conflitos – não será esta a imagem que se adivinha através das imagens das câmaras em Kiev?

Voz da Rússia

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