domingo, 18 de fevereiro de 2018

Dólar está cercado: China exige que EUA parem

"O dólar está cercado", informam os jornalistas da agência Bloomberg. Segundo eles, o mundo financeiro começou a entender a real dimensão dos problemas econômicos dos EUA: o deficit público, o aumento da dívida federal e o deficit da balança comercial. O analista Ivan Danilov fala sobre o futuro do sistema financeiro dos EUA.
Nota de cinco dólares em chamas


Depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, e seus rivais dos Partidos Republicano e Democrata começarem a discutir o orçamento e o aumento da dívida pública, se tornou evidente que o establishment dos EUA chegou a acordo sobre esse assunto. Em vez da redução das despesas e do deficit orçamental, prometida por Trump durante sua campanha eleitoral, foi aprovado um orçamento que prevê um aumento recorde do deficit, mais gastos orçamentais e dívida pública.

Os analistas financeiros entendem que a impressão de dinheiro não controlada para amortizar a dívida levará a graves problemas. Entretanto, para as autoridades, os problemas econômicos a longo prazo são secundários frente à possibilidade de resolver seus próprios problemas financeiros e políticos, sublinhou Danilov.

Segundo Mark McCormick, chefe de estratégia de divisas para a América do Norte do Toronto Dominion Bank, as perspectivas do dólar são sombrias. 
"Se somarmos os deficits, veremos um grande número de vulnerabilidades externas para a taxa de câmbio. Estamos em uma situação quando é difícil lidar com esses deficit do ponto de vista de fluxos de capitais", disseele. A agência de classificação de riscos Moody's avisou, por sua vez, que os EUA poderiam perder seu alto perfil de crédito.
"O deficit é um verdadeiro risco para o governo, para a situação em Wall Street e para a saúde de toda a economia norte-americana", escreve o jornal Boston Globe
Um dos problemas mais sérios a curto prazo é o nervosismo da China, principal credor estrangeiro dos EUA, relativamente às ações de Washington na sua política externa, especialmente no campo económico.
Recentemente, a agência de notícias chinesa Xinhua publicou um artigo sob o título "O deficit irresponsável de um trilhão de dólares [R$ 3,3 bilhões] dos EUA merece especial atenção". "Tendo em consideração que a dívida pública já superou 20 trilhões de dólares [R$ 66 trilhões], os EUA quase atingiram a maior dívida em tempo de paz", lê-se no artigo.
O total de títulos norte-americanos em poder de Pequim supera um trilhão de dólares (R$ 3,3 trilhões). Recentemente, os mercados financeiros entraram em sobressalto após ter surgido o rumor de que Pequim planeja reduzir ou até deixar de comprar títulos do Tesouro dos EUA. O mundo financeiro conseguiu lidar com o choque depois da negação oficial das autoridades chinesas. 
Os senadores e congressistas não param de declarar que, se for necessário, eles podem imprimir mais dinheiro. Entretanto, essa medida apenas aumentaria a pressão sobre a moeda norte-americana.
A Xinhua sublinha que um dia os EUA deveriam pagar suas dívidas. "A varinha mágica não existe. Há apenas uma escolha entre o aumento dos impostos e a redução da dívida pública, ou um equilíbrio entre esses dois métodos. Os investidores ainda têm títulos dos EUA como ativos financeiros seguros, mas o Tio Sam não conseguirá adiar esse problema para sempre", avisou a agência chinesa.
Os problemas econômicos têm um aspecto geopolítico sublinhou Danilov. "Há duas formas tradicionais de anulação das dívidas públicas incomportáveis – a hiperinflação e a guerra. Quanto mais perto os EUA estiverem da hiperinflação, mais atraente para os políticos será a solução militar dos problemas económicos", sublinhou ele.
É por isso que os investimentos russos na modernização do exército são um fator chave que permitirá não apenas à Rússia, mas a todo o mundo sobreviver a inevitável crise do sistema financeiro baseado no dólar, concluiu o analista.
sputniknews

Um comentário :

  1. Certamente o Establishment ocidental não permitirá um retrocesso nos seus interesses de exploração e destruição e partirá para a guerra mais cedo ou mais tarde. Nos preparemos!

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