sexta-feira, 31 de agosto de 2018

OS EUA ESTÃO PREPARANDO UM TOTAL EMBARGO AO PETRÓLEO VENEZUELANO?

A Casa Branca está estudando a possibilidade de impor novas sanções (embargos) ao setor de petróleo da Venezuela, segundo a McClatchy DC, citando fontes do governo dos EUA.

De acordo com essa informação, tanto a proibição total do comércio venezuelano de petróleo quanto as “sanções” específicas contra altos funcionários venezuelanos estão sendo consideradas.


A Fort-Russ News (FRN) lembra aos leitores que o que os EUA costumam chamar de “sanções”, na verdade, não se baseia em nenhuma decisão ou acordo em tribunais internacionais, órgãos ou mesmo em achados públicos. Em vez disso, o termo é como os EUA agora moldam sua política de embargo.


As mesmas fontes do governo dos EUA consideram que a imposição de um embargo total de petróleo contra o país latino-americano teria um sério impacto no governo de Nicolás Maduro. Enquanto, ao mesmo tempo, têm medo de recorrer a medidas tão radicais, porque no governo Trump acreditam que essa decisão afetaria seriamente a população venezuelana e prejudicaria a indústria petrolífera norte-americana e seus cidadãos – em um momento em que já há descontentamento da população com o aumento dos preços do gás.

Nas últimas semanas, a Casa Branca e o Departamento de Estado recorreram a especialistas do mercado de petróleo para calcular o efeito de tais medidas. A Casa Branca também sugere que o novo pacote de sanções seja acordado nos próximos três meses.

Isso acontece quando o Banco Central da Venezuela põe em circulação as novas cédulas do bolívar, eliminando 5 zeros da moeda nacional.

Enfrentando uma grave crise política e econômica, o presidente Nicolás Maduro ordenou os zeros cortados no bolívar em uma das tentativas de reverter a hiperinflação, que vem gerando grandes problemas sociais e a migração de venezuelanos para países vizinhos, como o Brasil e a Colômbia.

A entrada em vigor da nova moeda foi originalmente prevista para 4 de junho, com 3 zeros a menos. Mas o governo adiou duas vezes o evento, o último em 25 de julho, já com menos 5 zeros, diante de uma previsão de inflação do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 1.000.000% em 2018. Os 500 bolívares mais altos equivalem a 50 milhões de bolívares hoje.

As medidas adotadas pelo governo venezuelano não terão efeito e não trarão algumas melhorias momentâneas na inflação do país, segundo o economista Mauro Rochlin, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

“Nada vai acontecer exatamente porque o novo sistema simplesmente, em termos sintéticos, apenas corta os zeros da moeda e não ataca a raiz do problema. Isto é, continua a manter o estado como um grande financiador da sociedade e continuará a ser feito através da emissão de moeda e nada mais. Então, não consigo imaginar nenhum benefício que essa medida possa ter a curto prazo”, disse ele.

No entanto, a Fundação Getúlio Vargas apresentou consistentemente uma análise pobre sobre a situação na Venezuela, e os pontos de discussão não refletem uma avaliação objetiva e baseada na realidade da Venezuela ou de como as moedas soberanas funcionam. A divisão da atividade econômica entre o setor “público” e o “privado” é um fenômeno superestrutural legal, sem influência nos resultados econômicos. Um estado pode fazer política com base em dados e indicadores de mercado e, inversamente, uma empresa privada pode financiar líderes em perdas, subsidiar prejuízos e planejar atividades econômicas por longos períodos de tempo. Assim, o analfabetismo econômico dos críticos neoliberais da Venezuela toma sua influência ideológica de Von Mises, um campo de economia de recomendação de política especulativa, orientada por normas, e não de questões relativas à estrutura legal superestrutural da qual os partidos investiram na economia.

Em vez disso, os principais problemas econômicos da Venezuela se originam não dentro da Venezuela, mas são uma circunstância herdada relativa à economia de mercado global. Idealmente, a Venezuela teria diversificado sua economia durante o período em que as receitas do petróleo tornaram possível esse investimento, pelo menos normativamente. Mas, na realidade, os custos do investimento em diversificação, em combinação com o que permaneceria depois – ainda “negativo em termos de custo” quando comparado à importação de países já há muito adiantados naquele campo de produção – tornaram essa diversificação menos manejável.

A FRN observa que muitas vezes é revelado nos mesmos artigos jornalísticos ou de opinião que prevalecem sobre o tema da República Bolivariana, que a economia da Venezuela está sofrendo, e está sob as “sanções” dos EUA (embargo). Talvez seja razoável sugerir que há alguma conexão entre esses dois fatos.

Autor: Paul Antonopoulos
Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: Fort-Russ.com

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