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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Mesmo com banimento, fabricantes americanas continuam vendendo chips para a Huawei

Empresas encontraram forma de seguir com negócios e respeitar regras impostas pelo governo dos EUA
A Huawei está proibida de comprar serviços e componentes de empresas americanas após decisão do Departamento de Comércio americano Foto: Aly Song / REUTERS
A Huawei está proibida de comprar serviços e componentes de empresas americanas após decisão do Departamento de Comércio americano Foto: Aly Song / REUTERS

XANGAI — Fabricantes de chips dos Estados Unidos continuam vendendo milhões de dólares em produtos para a Huawei , apesar do banimento imposto pelo governo de Donald Trump à comercialização de tecnologia americana para a gigantes de telecomunicações chinesa, segundo quatro fontes com conhecimento sobre os negócios. Líderes da indústria, incluindo Intel e Micron , encontraram formas de evitar que os produtos sejam rotulados como feitos na América, informaram essas pessoas, que falaram sob condição de anonimato.


Bens produzidos por companhias americanas no exterior nem sempre são consideradas como feitos na América. Os componentes começaram a ser enviados para a Huawei há cerca de três semanas. As vendas vão ajudar a Huawei a continuar vendendo seus produtos, como smartphones e servidores, e mostram como é difícil para o governo americano reprimir companhias consideradas ameaças à segurança nacional, como a Huawei. Também revelam as consequências de se alterar a rede de relações comerciais que une a indústria mundial de eletrônicos e o comércio global.

A decisão do Departamento de Comércio de proibir as vendas para a Huawei gerou confusão tanto na gigante chinesa como em seus fornecedores americanos, disseram as fontes. Sem experiência com os controles comerciais, muitos executivos determinaram suspensões imediatas nos embarques para a Huawei, até que os advogados pudessem identificar quais produtos poderiam ser ou não comercializados. Decisões sobre o que pode ou não ser vendido também são determinadas pelo Departamento de Comércio.

Empresas americanas podem vender tecnologia para o suporte dos atuais produtos da Huawei até meados de agosto, mas a proibição de componentes para produtos futuros já está em vigor. Não está claro qual o percentual das vendas que estão acontecendo que são para produtos futuros e atuais, mas os negócios, segundo estimativas das fontes, já totalizaram centenas de milhões de dólares.

Apesar de o governo estar ciente das vendas, as autoridades estão divididas sobre como responder. Alguns acreditam que os negócios violam o espírito da lei e minam os esforços para pressionar a Huawei, enquanto outros são favoráveis, porque aliviam o impacto da proibição às empresas americanas. Anualmente, a Huawei compra cerca de US$ 11 bilhões em componentes de empresas americanas.

Intel e Micron não comentaram.

Reclamação da indústria americana

“Como discutimos com o governo dos EUA, agora está claro que alguns itens podem ser fornecidos à Huawei seguindo os regulamentos aplicáveis”, escreveu John Neuffer, presidente da Associação da Indústria de Semicondutores, em comunicado na sexta-feira. “Cada companhia é impactada de maneira diferente com base em seus produtos específicos e cadeias de suprimento, e cada companhia deve avaliar como melhor conduzir seus negócios”.

Em teleconferência de resultados na tarde da última terça-feira, o diretor executivo da Micron, Sanjay Mehrotra, afirmou que a companhia suspendeu os envios para a Huawei após a ação do Departamento de Comércio no mês passado. Mas a empresa retomou as vendas há cerca de duas semanas após a Micron revisar as regras do banimento e “determinar que poderia retomar, legalmente, o envio de um conjunto de produtos.

— No entanto, há uma considerável incerteza sobre a situação da Huawei 
— afirmou Mehrotra.

Em resposta a questionamentos sobre as vendas para a Huawei, um porta-voz do Departamento de Comércio fez referência a um trecho do comunicado oficial sobre a inclusão da empresa na lista de banimento, que dizia que o objetivo era “impedir atividades contrárias à segurança nacional ou aos interesses da política externa dos EUA”.

Um alto funcionário do governo afirmou que após a inclusão da Huawei na lista de empresas proibidas de comprar insumos americanos, a Associação da Indústria de Semicondutores enviou uma carta à Casa Branca solicitando permissão para que algumas empresas continuassem vendendo componentes para a Huawei. A concessão foi negada, então as empresas encontraram o que afirmam ser uma base legal para continuarem seus negócios.

Debate após cúpula do G20

Segundo ele, o governo gostaria de tratar a questão, mas não antes da cúpula do G20, no Japão, no fim desta semana. A prioridade de Donald Trump é discutir a disputa comercial com o presidente da China, Xi Jinping, para que os dois lados retomem as negociações que se arrastam desde o início do ano passado.

O destino da Huawei, a joia da coroa da indústria de inovação e tecnologia da China, se tornou símbolo do impasse econômico e de segurança entre os EUA e a China. O governo Trump alertou que companhias chinesas como a Huawei, que fabricam equipamentos para redes de telecomuinicações, podem interceptar ou desviar, secretamente, informações para a China. A Huawei nega as acusações.

Apesar das preocupações do governo americano, analistas temem que a Huawei e outras companhias de tecnologia chinesas tenham se tornado peões nas negociações comerciais. Junto com a Huawei, os EUA proibiram que uma fabricante de supercomputadores chinesa compre tecnologia americana, e considera incluir na lista de banimento a empresa de tecnologia de vigilância Hikvision.

Kevin Wolf, ex-funcionário do Departamento de Comércio e sócio do escritório de advocacia Akin Gump, aconselhou várias empresas americanas que fazem negócios com a Huawei. Ele disse aos executivos que a inclusão da Huawei na lista não impede que fornecedores americanos continuem suas vendas, desde que os bens e serviços não sejam produzidos nos EUA.

Um chip, por exemplo, pode continuar sendo vendido para a Huawei se for fabricado fora dos EUA e não contenha tecnologia e não coloque em risco a segurança nacional. Mas existem limites. Se a fabricante fornece serviços dos EUA para solução de problemas e instrução de uso do produto, por exemplo, a empresa não poderá vender para a Huawei mesmo se fisicamente o chip for produzido no exterior.

— Não é uma brecha ou interpretação porque não existe ambiguidade — afirmou Wolf. — É apenas esotérico.

O globo

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