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sexta-feira, 14 de junho de 2019

Toda a verdade sobre a hiperinflação na Venezuela.Como EUA usam bloqueio para provocar crise alimentar na Venezuela (FOTOS)

Desde 2017 que a Venezuela está enfrentando uma hiperinflação. Segundo os dados oficiais, em 2018, a inflação no país foi de 130.060%. Saiba como os cidadãos venezuelanos vivem em um país abalado por enormes dificuldades econômicas, bem como as razões da distorção dos preços no país.
Um supermercado venezuelano
"Aqui as pessoas são magras não por não comerem, mas por caminharem buscando o melhor preço", disse à Sputnik Mundo uma venezuelana que quis permanecer anônima porque seu filho trabalha na Administração Pública e ela acredita que poderia ter seu telefone grampeado.

"A inflação anda de elevador enquanto nos subimos pelas escadas", disse Belkys, uma outra cidadã venezuelana.


Prateleiras com produtos em um supermercado venezuelano
Prateleiras com produtos em um supermercado venezuelano

"Costumo ir às compras na segunda-feira quando meus filhos me dão dinheiro. Caminho e caminho buscando os melhores preços em diferentes lojas e mercados porque, dependendo de onde procure, os preços variam. Compro queijo, presunto, ovos, legumes, algumas frutas [...] Principalmente, o que não vem na caixa", revelou Belkys.

A caixa de que ela fala é um conjunto de produtos alimentícios distribuídos por toda a Venezuela pelos CLAP (Comissões Locais de Abastecimento e Produção) que entregam produtos básicos e essenciais a quase seis milhões de famílias.

Nos últimos tempos, a permuta também se transformou em uma das medidas mais populares para colmatar a hiperinflação que o país sofre, ou seja, uma subida constante e praticamente diária do preço de tudo, incluindo alimentos e medicamentos.

Pela primeira vez em cinco anos, o Banco Central venezuelano publicou dados oficiais sobre a inflação, balança de pagamentos e atividade econômica do país. Os dados apenas mostram o que todos os venezuelanos sabem, ou melhor dizendo, sentem na sua vida cotidiana: os dados revelam que a inflação no país atinge uma cifra de 130.060% em 2018, sendo a mais alta na história moderna do país.

Segundo o registro histórico do Banco Central, a Venezuela passou o limiar da hiperinflação – mais de 50% mensalmente – em dezembro de 2017 e, desde então, ela não deixa de crescer.

Poucos meses antes, concretamente em agosto de 2017, foi adotado o famoso primeiro pacote de sanções estadunidenses contra o país. A partir da sua introdução, a Venezuela perdeu acesso ao mercado internacional de capitais, tornando impossível para o país financiar e refinanciar sua dívida externa, explicou o economista venezuelano Tony Boza.

"Não podendo emitir títulos de dívida, a Venezuela não pode aceder ao crédito e, se o consegue, paga mais juros que qualquer outro país no mundo, porque seu prêmio de risco – estabelecido pelo monopólio das agências de classificação – supera 5.000 pontos básicos", explicou Boza.

De acordo com o economista, “por cada 100 pontos de qualificação que te dão estas agências, pagas um ponto de taxa de juro nos créditos. A Venezuela tem 5.000 pontos. Isso significa que um crédito que qualquer outro país poderia receber a uma taxa de juro de 3%, a Venezuela deve pagar a taxa de 53%”.

As últimas sanções se tornaram um golpe ainda mais duro para a Venezuela. Em 28 de fevereiro, os EUA anunciaram o embargo da empresa Citgo, filial americana da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). A medida bloqueia o acesso do governo de Nicolás Maduro a 18 bilhões de dólares (provenientes da venda de petróleo) destinados à importação de produtos e serviços da primeira necessidade.
Prateleiras com produtos em um supermercado venezuelano
Prateleiras com produtos em um supermercado venezuelano
Um supermercado na Venezuela, país que obtém 98% de suas divisas da exportação do petróleo e delas depende para importar quase tudo o que consome
A queda da importação provocou o aumento dos preços, ou seja a inflação, devido à falta de oferta no mercado. A Venezuela obtinha 98% de suas divisas com as exportações de petróleo. Segundo o estudo publicado pelo Centro Estratégico Latino-Americano de Geopolítica (CELAG), a oferta interna depende da quantidade disponível de divisas para importar. Entre 2011 e 2017, as importações se reduziram cinco vezes. Ou seja, passaram de 60 bilhões de dólares para 12 bilhões (de R$ 230 bilhões para R$ 46 bilhões).

Entretanto, segundo Boza, existe mais um fator importante para explicar a inflação venezuelana.

"Foi um erro o Banco Central deixar de publicar há anos dados econômicos, porque também deixou de publicar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é o indicador chave que sustenta a regulação de preços no mercado", disse o economista.

Para ele, deixando de publicar o índice de preços mais importantes imposto pelo Estado como regulador, todo o sistema foi afetado.

"Desta maneira, o empresariado começou a especular porque não tinha nenhuma referência quando queria apresentar sua lista de preços para adquirir qualquer bem", afirmou ele, explicando que os empresários começaram a adquirir divisas à taxa de câmbio oficial-preferencial e as revender no mercado paralelo de divisas a uma taxa extremamente alta, estabelecida pelos portais na rede.

Segundo o CELAG, o bloqueio financeiro internacional contra a Venezuela causou perdas na produção de bens e serviços de 350 bilhões de dólares (R$ 1,35 trilhões) de 2013 a 2017.

Luis Salas, economista e editor do portal 15yÚltimo, as sanções contra a Venezuela por parte dos EUA são "um cerco medieval e criminal promovido por atores de mentalidade medieval e criminal. E, como todo o cerco deste tipo, é terrorismo contra a população civil".

Como EUA usam bloqueio para provocar crise alimentar na Venezuela (FOTOS)

Em 8 de junho os venezuelanos saíram às ruas para defender as CLAP (Comissões Locais de Abastecimento e Produção), o programa do governo para garantir a alimentação em tempos de escassez. A Sputnik Mundo revela o que significam as CLAP para o povo venezuelano.

Desde 2017, o presidente dos EUA Donald Trump tem adotado sanções contra a Venezuela. Recentemente, Washington ameaçou pôr fim ao programa CLAP. Por um lado, as CLAP são as cestas (caixas) alimentares distribuídas pelo governo por todo o país desde 2016. Por outro lado, CLAP é um sinônimo de coesão do povo perante a guerra das sanções.

A Sputnik Mundo falou com os representantes das Unidades Populares de Defesa Integral da Venezuela, cujo objetivo é estar prontos para qualquer "intervenção".
Venezuelanos saem às ruas para defender as CLAP (Comissões Locais de Abastecimento e Produção), 8 de junho
Venezuelanos saem às ruas para defender as CLAP (Comissões Locais de Abastecimento e Produção), 8 de junho
Marcha a favor das CLAP em Caracas, em 8 de junho
Marcha a favor das CLAP em Caracas, em 8 de junho
Participantes da marcha a favor das CLAP
Participantes da marcha a favor das CLAP

"Na nossa comunidade nos organizamos em Unidades Populares da Defesa Integral", revelou Maryuri, moradora do estado de Carabobo, de 57 anos.

"Todos os chefes comunitários que distribuem as CLAP se comprometeram com a resistência revolucionária em caso de qualquer eventualidade", explicou ela.

Qualquer eventualidade é um ataque estrangeiro, uma invasão ou uma guerra convencional.

"Se forem adotadas sanções contra as CLAP teremos uma redução completa a zero por cento da importação das cestas que ainda estão em trânsito", revelou à Sputnik Mundo Yomar España, diretor-geral de Comunicações do Ministério da Alimentação.

"A solução é fazer uma cesta completamente nacional, de fato, já estamos fazendo isso em alguns estados como Guárico. A chamamos de cesta CLAP 'soberana' completamente autônoma", sublinhou.

É difícil calcular os danos causados pelo bloqueio alimentar porque é difícil entender com números o que significa deixar sem comer seis milhões de famílias. Atualmente, devido às medidas restritivas dos EUA, estão congelados 1,2 bilhões de dólares (R$ 4,6 bilhões) que pertencem à Venezuela, destinados ao pagamento de alimentos.

"Com esse dinheiro poderíamos importar matéria-prima para a produção de alimentos ou cestas CLAP completamente embaladas por mais de dois meses", explicou España.

José Rivero, chefe do armazém Caracas, uma de três entidades de seu tipo na cidade, que recebe diariamente mais de 15.000 caixas CLAP provenientes do porto venezuelano La Guaira, donde se realiza todo o processo de embalagem.

"Antes das sanções contra os navios cargueiros, estávamos conseguindo o objetivo de distribuir as cestas a cada 15 dias entre as comunidades. Conseguimos uma média de 17 dias aproximadamente. Agora as estamos distribuindo uma vez por mês ou ainda mais raro, dependendo da zona", sublinhou ele.

As sanções contra os armadores que transportavam alimentos à Venezuela causaram um dos golpes mais sérios. O tempo médio de espera dos navios desde que saíam de seu porto de origem até chegarem à Venezuela era de 45 dias em 2017.

A cifra passou a 60 dias em 2018 e, atualmente, se encontra em 147 dias. Segundo dados oficiais do Ministério de Alimentação, a distribuição sofreu uma queda de 29% em comparação com o mês anterior.

"Deste ponto saem diariamente 12.000 cestas que distribuímos por diferentes municípios da cidade", revelou Rivero. "O CLAP é uma ferramenta fundamental da revolução porque é um muro de contenção perante esta guerra econômica que estamos enfrentado".

O chefe do recinto, escondido para a maioria mas que trabalha sem descanso 24 horas por dia, sete dias por semana, demonstrou ao correspondente da Sputnik Mundo o que contém uma dessas cestas: cinco pacotes de macarrão, três latas de atum, um quilo de açúcar, um quilo de leite em pó, meio-quilo de feijão preto, um litro de azeite, um quilo de arroz, meio-quilo de farinha de milho e um frasco de molho de tomate.
Distribuição de cestas alimentares das CLAP
Distribuição de cestas alimentares das CLAP

O custo destes produtos é de 6.000 bolívares soberanos (menos de um dólar). Em qualquer supermercado da cidade tudo isso custaria cerca de 100.000 bolívares, ou seja, cerca de 20 dólares – um preço muito alto para a maioria dos cidadãos do país onde o salário mínimo mensal alcança sete dólares. Chama a atenção que a maioria dos produtos é de produção nacional.

"Desde que Maduro iniciou o Programa de Recuperação, Crescimento e Prosperidade Econômica em 2017, lançámos 79 indústrias para produzir alimentos da cesta básica", sublinhou Yomar España.

Ele acredita que no futuro a Venezuela poderia se tornar um país completamente autônomo. "Para isso lançamos também o Plano Proteína Nacional e esperamos que, em cerca de seis meses, poderemos ser completamente autossustentáveis", afirmou ele.

Apesar do bloqueio de Washington, em 2019, as CLAP distribuíram 42.086.449 cestas com alimentos entre cerca de seis milhões de famílias por toda a Venezuela.

Carmen Mora vive em Caracas com seu marido e filhos. Ela acredita que, se a oposição chegar no poder, as cestas das CLAP serão abolidas.

"A cesta para mim é um benefício muito grande porque, se apenas contasse com meu salário ou o de meu marido, não poderia comprar todo o que necessito. Se comprar frango não posso comprar arroz, ou se não, farinha. É um grande benefício e, por isso, as pessoas têm que saber que temos que apoiar nosso presidente Nicolás Maduro", disse ela.

sputniknews

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