quarta-feira, 3 de julho de 2019

Israel contra os Venezuelanos

Thierry Meyssan

Uma nova tentativa de Golpe de Estado teve lugar em 24 de Junho na Venezuela. Thierry Meyssan releva que ela era dirigida ao mesmo tempo contra a Administração de Nicolás Maduro e contra o seu opositor pró-EUA, Juan Guaidó. Por outro lado, segundo as registos áudio das conversas dos conspiradores, ela era supervisionada por Israelitas.
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Em 24 de Junho de 2019, Nicolás Maduro e Juan Guaidó deviam ser eliminados em proveito de Raúl Baduel.

Uma enésima tentativa de Golpe de Estado teve lugar durante o dia 24 de Junho 2019 na Venezuela. Todos os protagonistas foram detidos e o Ministro da Informação, Jorge Rodríguez, explicou demoradamente na televisão todos os detalhes da golpada. Ela foi eclipsada na imprensa pelo mal-estar de um dos chefes durante a sua comparência no tribunal, depois pela sua morte no hospital. Ora, ela é, na realidade, muito esclarecedora.


Com efeito, ao contrário das vezes precedentes, este complô era vigiado desde há 14 meses por uma unidade da Inteligência militar que havia sido treinada pela Inteligência cubana. Neste período, os Venezuelanos penetraram o grupo e vigiaram as suas comunicações áudio e vídeo. Assim, eles dispõem de 56 horas de gravações que fornecem uma quantidade de provas irrefutáveis.

Vários dos indivíduos detidos haviam estado envolvidos em complôs anteriores, de tal modo que é difícil conceber esta operação como sendo distinta das anteriormente comanditadas pela CIA.

Não melhor futuro para a Oposição do que para o governo

Duas constatações se impõem. Em primeiro lugar, este complô era ao mesmo tempo dirigido contra o Presidente constitucional, Nicolás Maduro, e contra o autoproclamado presidente, Juan Guaidó, a fim de levar um terceiro homem ao Poder, o General Raúl Baduel.

Este último, um antigo Chefe de Estado-Maior, depois Ministro da Defesa, fora demitido das suas funções pelo Presidente Hugo Chávez, virara-se contra ele e tomara a chefia da Oposição, em 2009. No entanto, provou-se que tinha desviado dinheiro do seu ministério. Foi julgado e condenado a 7 anos de prisão, que cumpriu. Foi de novo encarcerado durante o mandato do Presidente Nicolás Maduro e continua preso. Um comando deveria libertá-lo e levá-lo à televisão nacional para anunciar a mudança de regime.

O facto de promover um terceiro presidente confirma a nossa análise, publicada há dois anos [1], segundo a qual o objectivo dos Estados Unidos não era o de substituir o regime bolivariano por um outro mais obediente, mas destruir as estruturas estatais do país. Do ponto de vista dos EUA, nem a maioria nacionalista nem a oposição pró-EUA devem esperar ter um qualquer futuro.

Os Venezuelanos que seguem Guaidó e acreditam que o apoio dos EUA os levará à vitória devem agora constatar o seu erro. O Iraquiano Ahmed Chalabi e o Líbio Mahmoud Jibril voltaram aos seus países na bagagem dos GI’s. Mas, jamais tiveram o destino que pensavam vir a ter.

As análises clássicas do século XX, segundo as quais os Estados Unidos preferem governos vassalos a iguais estão, no atual estado do capitalismo financeiro transnacional,ultrapassadas. É o sentido da doutrina militar Rumsfeld/Cebrowski, em vigor desde 2001 [2], que já devastou o «Médio-Oriente Alargado» e se abate hoje em dia sobre a «Bacia das Caraíbas».

Segundo as gravações do complô, este não foi organizado pelos Estados Unidos, mesmo que seja provável que eles o tenham supervisionado, mas, sim, por israelitas (israelenses-br). No decurso dos últimos 72 anos, a CIA organizou uma incrível quantidade de «mudanças de regime» através de «golpes de estado» ou de «revoluções coloridas». Por uma questão de eficácia, a Agência pode confiar simultaneamente missões idênticas a várias unidades, ou até mesmo delegar a sub-contratados certas operações. É muitas vezes o caso da Mossad, que aluga igualmente os seus serviços a inúmeros outros clientes.
Assim, há quatro anos, uma outra tentativa de Golpe de Estado tinha acontecido na Venezuela. A operação previa, então, vários assassínios e uma manifestação que devia tomar de assalto o palácio presidencial de Miraflores. A TeleSur havia mostrado que essa tentativa era enquadrada por estrangeiros, os que chegaram ao país sobretudo nos dias que a precediam. Eles não falavam espanhol (castelhano-ndT). Além disso, também o percurso da manifestação havia sido misteriosamente marcado com grafites de estrelas de David e de instruções em hebraico.

Israel na América Latina

Prudentemente, o Ministro Jorge Rodríguez evitou publicamente pronunciar-se dizendo se os Israelitas que dirigiam o complô de 22 de Junho estavam, ou não, mandatados pelo seu Estado. Inúmeros exemplos atestam que isso é inteiramente possível.
O papel dos Serviços Secretos israelitas na América Latina remonta a 1982. Na Guatemala, o Presidente judaico-cristão Efraín Ríos Montt [3] massacrou 18. 000 Índios. Enquanto Ariel Sharon invadia o Líbano, a Mossad prosseguia, na sua sombra, as experiências sociais que tinha conduzido na África do Sul do apartheid desde 1975 : criar Bantustões para os Maias; um modelo que será aplicado aos Palestinianos após os Acordos de Oslo (1994). Contrariamente a uma leitura optimista dos acontecimentos, o facto de o Primeiro-ministro Yitzhak Rabin ter pessoalmente supervisionado as experiências sociais na África do Sul [4] não abonava pela sua boa-fé quando se compromete em Oslo a reconhecer um Estado palestino desmilitarizado.
Nos dez últimos anos, os Serviços Secretos israelitas : 
- «autorizaram» a sociedade «privada» israelita Global CST a conduzir a operação «Xeque» de libertação de Íngrid Betancourt, refém das FARC colombianas (2008) [5]. 
- enviaram às Honduras snipers para assassinar os líderes das manifestações pró-democracia aquando do Golpe de Estado contra o Presidente, constitucionalmente eleito, Manuel Zelaya (2009) [6]. 
- participaram ativamente no derrube da Presidente brasileira, Dilma Rousseff, enquanto colocados no seio do Banco Central, da segurança dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e do Senado (2016).

Além disso, As Forças de Defesa de Israel (Tsahal- ndT) 
- alugaram uma base submarina no Chile; 
- enviaram milhares de soldados para seguir estágios de duas semanas na propriedade de Joe Lewis na Patagônia argentina [7].

Tradução
Alva

voltairenet

2 comentários :

  1. Nícolas Maduro é judeu.
    A crise econômica que se encontra hoje na Venezuela é culpa dele que de forma proposital quebrou a economia do país para que os irmãos judeus dele venha com empréstimos e outras artimanhas.

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  2. Não seria culpa dos EUA e seus vassalos que roubaram o dinheiro da Venezuela e impuseram sansões criminosas contra o país?

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