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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

As origens anglo-americanas das revoluções coloridas & da NED

por Matthew Ehret [*]

Até há poucos anos poucas pessoas entendiam o conceito das revoluções coloridas. 
Manifestante em Hong Kong.
Se a liderança da Rússia e da China não tivessem decidido unir-se solidariamente em 2012 , quando começaram a vetar o derrube de Bashar al Assad na Síria, seguindo-se a sua aliança em torno da Iniciativa Estrada da Seda (Belt and Road Initiative) , seria duvidoso que hoje o conceito de revolução colorida fosse tão bem conhecido. 

Naquela época, a Rússia e a China perceberam que não tinham escolha senão ir à contra-ofensiva, uma vez que as operações de mudança de regime e as revoluções coloridas orquestradas por organizações como National Endowment for Democracy (NED), filiada à CIA, e a Soros Open Society Foundations eram concebidas para atacá-las. 
Os esforços a favor de revoluções rosa, laranja, verde ou amarela na Geórgia, Ucrânia, Irão ou Hong Kong – sempre reconhecidos como pontos fracos na periferia – ameaçavam a formação de uma grande aliança de nações soberanas euro-asiáticas que teria o poder de desafiar a elite anglo-americana com base em Londres e na Wall Street. 

expulsão da Rússia em 2015 de 12 importantes canais de revolução colorida incluiu a Open Society Foundation de Soros que, tal como a NED, era poderosas quinta-colunas do inimigo, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros a classificá-la como "uma ameaça os fundamentos da ordem constitucional da Rússia e à sua segurança nacional". Isto resultou em apelos fanáticos de George Soros em favor de um fundo de US$50 mil milhões para atuar contra a interferência da Rússia em defesa da democracia na Ucrânia. Aparentemente os US$5 mil milhões gastos pelos NED na Ucrânia não foram suficientes [1] . 

Apesar da luz que incidiu sobre estes vermes, as operações da NED e da Open Society continuaram com força total concentrando-se nos elos mais fracos do Grande Tabuleiro de Xadrez, desencadeando o que ficou conhecido como uma "estratégia de tensão". Venezuela, Caxemira, Hong Kong, Tibete e Xinjian (alcunhado de Turquestão Oriental pela NED) foram todos atacados nos últimos anos. Milhões de dólares da NED foram despejados em grupos separatistas, sindicatos, movimentos de estudantes e falsos "formadores de opinião" sob o disfarce da "construção da democracia". US$1,7 milhão em subsídios foram gastos pela NED em Hong Kong desde 2017, o que representou um aumento significativo em relação aos US$400 mil gastos para coordenar o fracassado protesto "Ocuppy HK" em 2014 . 

O caso da China 

Como resposta a mais de dois meses de caos controlado, o governo chinês manteve uma postura admiravelmente contida, permitindo às autoridades de Hong Kong que administrasse a situação com a sua polícia privada de armas letais e até mesmo cedendo à exigência dos manifestantes de que mudanças no tratado de extradição – nominalmente o que desencadeou esta confusão – fossem anuladas. Apesar deste tom paciente, os desordeiros que provocaram danos em aeroportos e edifícios públicos criaram listas de exigências quase impossíveis de cumprir para a China continental, incluindo 1) um "comité independente para investigar os abusos das autoridades chinesas", 2 ) que a China deixe de se referir aos desordeiros como "desordeiros", 3) que todas as acusações contra desordeiros sejam canceladas, e 4) sufrágio universal – incluindo candidaturas que promovam a independência ou o regresso ao Império Britânico. 

Como a violência continua a crescer, e como se tornou uma realidade crescente que alguma forma de intervenção do continente possa ocorrer a fim de restaurar a ordem, o Foreign Office britânico adotou um tom agressivo ameaçando a China com "graves consequências" a menos que seja permitida "uma investigação totalmente independente" quanto à brutalidade policial. O ex-governador colonial, Christopher Patten, atacou a China ao dizer: "Desde que o presidente Xi entrou no governo, tem havido repressão a dissidentes por toda a parte, o partido tem estado no controle de tudo". 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês respondeu dizendo que "o Reino Unido não tem jurisdição soberana ou direito de supervisão sobre Hong Kong… é simplesmente errado que o governo britânico exerça pressão. O lado chinês insta seriamente o Reino Unido a cessar sua interferência nos assuntos internos da China e a cessar de fazer acusações aleatórias e inflamatórias acerca de Hong Kong". 

Os britânicos não seriam capazes de efetuar suas manipulações de Hong Kong sem o papel vital das operações sujas de ONGs dos EUA. De um modo realmente imperial, a classe política de ambos os lados atacou a China, com o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, e Nancy Pelosi a fazerem o barulho mais ruidoso levando o Comité do Assuntos Estrangeiros da Câmara americana a ameaçar "condenação universal e consequências rápidas se Pequim intervier. Isso só fez com que as fotografias de Julie Eadeh, a chefe do Gabinete Político do Consulado Americano em Hong Kong, reunida com líderes das manifestações de Hong Kong se tornassem muito mais repugnantes para qualquer observador. 

Se bem que tanto a Grã-Bretanha quanto a América foram apanhadas em flagrante a organizarem esta revolução colorida, é importante ter em mente quem controla quem. 

As origens estrangeiras da NED 

Ao contrário da crença popular, o Império Britânico não desapareceu após a Segunda Guerra Mundial, nem entregou as "chaves do reino" à América. Ele nem mesmo se tornou o parceiro júnior num novo relacionamento especial anglo-americano. Ao contrário da crença popular, ele permaneceu no assento dos condutores. 

A ordem pós-Segunda Guerra Mundial foi em grande medida moldada por um golpe britânico que tomou conta da América através de um combate. Ninhos de Rhodes Scholars [NT 1] treinados em Oxford, fabianos e outros ideólogos inseridos no interior do establishment americano tiveram um bocado de trabalho quando lutavam para expurgar todos os impulsos nacionalistas da comunidade de inteligência americana. Se bem que o expurgo mais agressivo de patriotas americanos da comunidade de inteligência se verificasse durante a dissolução do OSS [NT 2]e a criação do MI6, em 1947, e a caça às bruxas comunistas que se seguiu, houve outros expurgos que foram menos bem conhecidos. 

Durante uma organização que começava a tomar forma e que viria a se tornar conhecida como a Comissão Trilateral, organizada pela "mão britânica na América" chamada Council on Foreign Relations e o Grupo Internacional Bilderberg, verificou-se outro expurgo. Foi em 1970 sob a direção de James Schlesinger, nos seus breves seis meses como diretor da CIA. Naquela época, 1000 altos funcionários da CIA considerados "inadequados" foram demitidos. A isto seguiu-se, nove anos depois, outros 800 demitidos de acordo com uma lista elaborada pelo "espião-mestre" da CIA, Ted Shackley . Tanto Schlesinger como Shackley eram membros de alto nível da Comissão Trilateral que participaram da formação do grupo em 1973 e tomaram o pleno poder da América durante a presidência de Jimmy Carter em 1977-1981, a qual desencadeou uma reorganização distópica da política externa e interna americana esboçada no meu relatório anterior . 

Projeto de captura da democracia 

Na década de 1970, a mão suja da CIA a financiar operações anarquistas tanto dentro como fora dos Estados Unidos tornou-se bem conhecida pois a cobertura dos media sobre suas operações escabrosas tanto em casa como no exterior estragou a imagem patriótica que a comunidade de inteligência desejava. Enquanto a resistência interna ao comportamento fascista a partir de dentro da própria comunidade de inteligência era tratada através de expurgos, a realidade era que uma nova agência tinha de ser criada para assumir as funções de desestabilização encoberta de governos estrangeiros. 

Aquilo que se tornou o Project Democracy teve origem numa reunião da Comissão Trilateral em 31 de maio de 1975 em Quioto, Japão, quando um protegido do director da Comissão Trilateral, Zbigniew Brzezinski, chamado Samuel (Choque de Civilizações) Huntington, apresentou os resultados da sua Força-tarefa sobre a governabilidade das democracias . Este projeto foi supervisionado por Schlesinger e Brzezinski e apresentou a noção de que as democracias não poderiam funcionar adequadamente nas condições de crise que a Comissão Trilateral estava a preparar-se para impor à América e ao mundo através de um processo alcunhado de "Desintegração controlada da sociedade" . 

O relatório Huntington apresentado na reunião da Trilateral declarava: "Poderíamos considerar… meios de obter apoio e recursos de fundações, corporações de negócios, sindicatos, partidos políticos, associações cívicas e, quando possível e apropriado, agências governamentais para a criação de um instituto destinado ao fortalecimento das instituições democráticas". 

Levou quatro anos para que este projeto se tornasse realidade. Em 1979 três membros da Comissão Trilateral, William Brock (RNC Chairman), Charles Manatt (DNC Chairman) e George Agree (chefe da Freedom House), estabeleceram uma organização denominada American Political Foundation (APF) que tentava cumprir o objectivo esboçado por Huntington em 1975. 

A APF foi utilizada para montar um programa que usava fundos federais chamado Democracy Program, o qual emitiu um relatório intermediário chamado "O compromisso para com a democracia", o qual dizia: Nenhum tema exige atenção mais constante no nosso tempo do que a necessidade de fortalecer as probabilidades futuras de sociedades democráticas num mundo que permanece predominantemente não livre ou parcialmente acorrentado por governos repressivos. ... Nunca houve uma estrutura abrangente para um esforço não governamental através do qual os recursos do eleitorado pluralista da América ... pudesse ser mobilizado de forma eficaz. 

Em Maio de 1981, Henry Kissinger, que substituirá Brzezinski como chefe da Comissão Trilateral e tinha muitos operacionais plantados em torno do presidente Reagan, pronunciou um discurso na Chatham House britânica (a mão controladora por trás do Council on Foreign Relations) onde descrevia seu trabalho como secretário de Estado dizendo que os britânicos "tornaram-se um participante nas deliberações internas americanas, num grau provavelmente nunca antes praticado entre nações soberanas... Na minha encarnação na Casa Branca mantive então o Foreign Office britânico mais bem informado e mais estreitamente envolvido do que fazia com o Departamento de Estado dos EUA… Era sintomático". No seu discurso, Kissinger delineou a batalha entre Churchill e Franklin Dellano Roosevelt durante a Segunda Guerra Mundial e destacou que ele favorecia a visão de mundo de Churchill para o mundo do pós-guerra (e ironicamente também a do príncipe Metternich que dirigia o Congresso de Viena que em 1815 destruiu movimentos democráticos na Europa). 

Em Junho de 1982, o discurso de Reagan no Westminster Palace inaugurou oficialmente a NED e em Novembro de 1983 a lei do National Endowment for Democracy foi aprovada transformando em realidade esta nova organização encoberta com US$31 milhões financiados por quatro organizações subsidiárias (AFL-CIO Free Trade Union Institute, o Center of International Private Enterprise da Câmara de Comércio dos EUA, o International Republican Institute e o International Democratic Institute) [2] . 

Ao longo da década de 1980, esta organização pôs-se a trabalhar administrando o [projeto] Irão-Contra, desestabilizando estados soviéticos e desencadeando a primeira moderna revolução colorida "oficial" na forma da Revolução amarela que depôs o presidente filipino Ferdinand Marcos. Falando mais abertamente do que o habitual, o presidente do NED, David Ignatius, disse em 1991 que "muito do que fazemos hoje há 25 atrás era feito secretamente pela CIA". 

Com o colapso da União Soviética, a NED foi instrumental a fim de trazer os antigos países do Pacto de Varsóvia para o sistema NATO/OMC e a Nova Ordem Mundial era anunciada por Bush pai e Kissinger – ambos foram recompensados com o título de cavaleiros pelos seus serviços à Coroa, em 1992 e 1995 respectivamente. 

Naturalmente, a vasta teia de ONGs que permeia o terreno geopolítico só pode ser eficaz na medida em que ninguém disser a verdade nem der "os nomes aos bois". O próprio ato de denunciar suas motivações nefastas torna-as impotentes e este simples facto torna importante na luta atual o recém anunciado acordo China-Rússia para a formulação de uma resposta estratégica adequada às revoluções coloridas. 



(1) Sem dúvida, a retirada pelo presidente Trump de dois terços do financiamento da NED em 2018 só reforçou as acusações de Soros de que Putin é a mão condutora da América enquanto despejava milhões em operações de mudança de regime anti-Trump na América. Enquanto neocons tais como Boldon, Pompeo e o líder do Senado Mitch Mcconnell tomaram uma posição dura contra a China em apoio à revolução colorida, deveria ser notado que Trump tem continuamente tomado uma linha oposta. Nos tweets de 14 de Agosto disse que "a China não é problema nosso" e que "o problema é com o FED". 
(2) No início de 1984, uma reorganização semelhante havia ocorrido no Canadá sob a orientação do secretário do Conselho Privado da Comissão Trilateral, Michael Pitfield, o qual criou o CSIS [Canadian Security Intelligence Service] quando as "operações sujas" da RCMP [Royal Canadian Mounted Police] durante a crise da FLQ [Front de libération du Québec] foram divulgadas numa série de reportagens de jornais. 


NT
[1] Rhodes scholars:   Bolsas de estudos destinadas à Universidade de Oxford.
[2] OSS (Office of Strategic Services):   agência de inteligência do governo norte-americano formada durante a Segunda Guerra Mundial (antecessora da CIA).

Ver também: 

  • Muralha sino-russa contra a intromissão dos EUA

  • Follow the Money Trail Behind the Hong Kong Protests 

    [*] Jornalista, fundador da Rising Tide Foundation 

    O original encontra-se em www.strategic-culture.org/... 
  • Um comentário:

    1. Mania mentirosa de se referir ao governo judaico-maçônico dos EUA de "anglo". Não são os anglos que dominam aquele país. Têm negro, asiático, britânico e principalmente judeus compondo aquele governo. E todos são maçons.

      Anglo (em latim: Anglii) é um termo moderno que se refere a um povo germânico cujo nome deriva da antiga região de Ânglia, que atualmente é um distrito localizado em Eslésvico-Holsácia, Alemanha, na EUROPA.

      Esses teus "anglos" nem alemão falam.

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