NO BRASIL DE BOLSONARO, AS BARRAGENS SÃO BOMBAS-RELÓGIO E ‘ABRIR MÃO DA AMAZÔNIA’ É UM NEGÓCIO RENTÁVEL PARA O PODER CORPORATIVO NA REGIÃO. - Noticia Final

Ultimas Notícias

Acompanhe o Noticia final nas Redes Sociais

test banner

Post Top Ad

Responsive Ads Here

Post Top Ad

Responsive Ads Here

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

NO BRASIL DE BOLSONARO, AS BARRAGENS SÃO BOMBAS-RELÓGIO E ‘ABRIR MÃO DA AMAZÔNIA’ É UM NEGÓCIO RENTÁVEL PARA O PODER CORPORATIVO NA REGIÃO.


Hoje é o quarto aniversário do desastre da barragem de rejeitos do Fundão em Mariana, uma cidade no estado brasileiro de Minas Gerais. A barragem de Fundão e a mina de minério de ferro associada, chamada Samarco, são operadas por uma empresa de mineração com o mesmo nome – de propriedade da empresa britânico-australiana BHP e da gigante brasileira de mineração Vale.
O colapso da barragem que retinha resíduos tóxicos da mina em 5 de novembro de 2015 matou 19 pessoas e devastou tudo, com o lançamento de 48,7 milhões de metros cúbicos de lodo tóxico no rio Doce, com 830 quilômetros de extensão, afetando um área do Oceano Atlântico a 370 milhas de distância da barragem.

Amplamente conhecido como o pior desastre ambiental do Brasil, o desastre da Samarco também deslocou 1,4 milhão de pessoas que viviam em aldeias próximas ao rio. Quatro anos depois, os impactos devastadores ainda estão sendo sentidos e a Samarco não reconstruiu uma casa.

Em janeiro deste ano, outra barragem de rejeitos desabou perto da cidade de Brumadinho. Ficava a apenas 75 milhas do colapso da barragem de Fundão, também em Minas Gerais. A mina e a barragem de Córrego do Feijão eram de propriedade exclusiva da Vale neste momento. Cerca de 270 pessoas foram mortas, a maioria trabalhadores que estavam na cantina a montante da barragem quando o colapso aconteceu.

O que aconteceu na Samarco e Brumadinho não foram tragédias, mas foram as conseqüências do extrativismo violento – a maneira colonial e destrutiva pela qual os bens ecológicos comuns são explorados. Nos dois casos, as comunidades afetadas estão profundamente traumatizadas. Eles estão buscando justiça, responsabilidade e reparações.

Aberto para negócios

Em outubro, viajei para Genebra para negociações sobre o Tratado Vinculativo da ONU; essa proposta insta os governos a desenvolver regras juridicamente vinculativas que responsabilizem as empresas transnacionais por abusos corporativos em todo o mundo, de acordo com a lei internacional de direitos humanos.

De Genebra, participei da reunião geral anual da BHP em Londres, para esclarecer o que está acontecendo nas comunidades quatro anos depois do colapso da barragem em Mariana. Mas tudo nesse espaço era violento, e o conselho já havia se preparado para contestar as demandas da comunidade que eu expressei, como as pessoas afetadas participarem plenamente do processo de reparação e a pesquisa a ser feita sobre o impacto ambiental do colapso.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, acredita que as próprias empresas estão resolvendo os problemas e, por sua vez, não colocou nenhum ministro do governo em funções para supervisionar o esforço de reparo, mas nomeou pessoas sem influência ou poder real. Seu governo está deixando todo o poder para as empresas, portanto, no Brasil, o estado não tem controle sobre essas operações.

O modelo extrativista

O Brasil está avançando agora outros tipos de extração, incluindo desmatamento, agroindústria e mega barragens. O objetivo de Bolsonaro de ‘abrir a Amazônia’ em uma expansão violenta do agronegócio e mineração está levando ao desmatamento e impactando maciçamente os rios da Amazônia, que estão sendo condenados para fornecer energia para megaprojetos. O que está acontecendo na Amazônia, com os incêndios e a destruição ecológica, está totalmente ligado à chegada do poder corporativo na região. O governo de Bolsonaro está tentando expulsar as comunidades indígenas que vivem lá para que possa impor outras formas de controle e apropriação dos recursos da Amazônia.

Muitos minerais diferentes foram descobertos no Brasil e novas tecnologias foram desenvolvidas para aproveitar os depósitos de ferro e outros minerais. Assim, as empresas estão aprofundando as minas e isso leva a mais resíduos tóxicos, maiores quantidades de água para lavar os minerais e mais trabalho manual a ser explorado. Esse modelo de mineração e armazenamento de resíduos em barragens é utilizado há muitos anos no Brasil, mas é uma tecnologia que não é mais usada em muitos países. Baseia-se no alto consumo de energia e água, e estes também são impostos em regiões com baixos índices sociais.

As empresas de mineração geralmente não avaliam suficientemente onde localizar geograficamente as barragens de rejeitos, para que sejam mais seguras para todos. Em vez disso, colocam as barragens onde a construção é mais fácil e mais barata. Mas essas opções não são baratas quando as barragens desabam porque as empresas não realizam estudos de controle sísmico da região. No caso da Samarco, a drenagem inadequada e os erros no depósito dos resíduos da mineração deixaram a barragem tão instável que apenas três pequenos choques sísmicos levaram ao seu colapso.

Uma bomba-relógio

O governo de Bolsanaro tornou a legislação ambiental mais flexível para impulsionar a economia e diminuir o tamanho do estado. Essa liberdade está permitindo que as empresas explorem terras e trabalhadores com mais facilidade, aumentando suas margens de lucro.

Mais de nove barragens de rejeitos já desabaram no Brasil. Desde 2002, a cada dois anos, uma barragem de mineração entra em colapso. Apesar disso, existem poucos funcionários executando controle de risco para evitar esses colapsos e, quando o fazem, há pouco investimento em tecnologias sustentáveis ​​que possam aumentar a segurança pública. Todas essas barragens de rejeitos altamente poluentes estão posicionadas de forma arriscada sobre cidades com grandes populações.

Para as comunidades afetadas por esses crimes, a demanda mais importante é o acesso à justiça. Existe uma grande assimetria de poderes entre as comunidades em relação às empresas. O segundo são reparações alinhadas com estruturas ou padrões internacionais de direitos humanos.

A organização em que trabalho, Movimento de Pessoas Afetadas por Barragens (MAB), está fazendo lobby para alterar as estruturas legislativas dos afetados, para reconhecer as necessidades das comunidades de desenvolvimento social e acesso a seus direitos. Esses pontos precisam ser reconhecidos antes da construção de megaprojetos.

Eliene Almeida, diretora da escola municipal de Bento Rodrigues, coberta de lama após o rompimento de uma represa (de propriedade da Vale SA e BHP Billiton Ltd). Ela é fotografada carregando seu filho em um hotel que abriga aldeões deslocados, em Mariana, Brasil. 9 de novembro de 2015.

As mulheres estão liderando a luta

No MAB, trabalhamos muito com mulheres, a principal luta nesses casos é que as pessoas precisam ser reconhecidas como afetadas e, no caso das mulheres, é mais difícil porque elas têm muitos empregos informais e estão sob controle patriarcal.

As empresas de mineração sempre concedem reparações ao chefe da família, geralmente homens, limitando assim a autonomia financeira das mulheres. Ao mesmo tempo, as mulheres olham para as políticas de reparação muito além da compensação monetária; eles consideram todos os outros impactos, como saúde e água contaminada, e como a comunidade pode lidar com esses problemas para garantir o bem-estar de todos os afetados.

Em geral, a sociedade brasileira se opõe mais às mulheres líderes. Nos últimos anos, os defensores do MAB que mais sofreram ataques foram mulheres. Desastres de barragens geram maior vulnerabilidade social; incluindo taxas mais altas de abuso de álcool e drogas e violência doméstica – geralmente após deslocamento, perda de meios de subsistência, apropriação de terras e impactos ecológicos.

Este ano, em 22 de março, o Dia Mundial da Água, a camarada Dilma Ferreira Silva foi morta por um grande proprietário de terras, que segundo a polícia estava envolvido em extração ilegal de madeira. Ela morava em um assentamento rural isolado em Tucuruí, no estado do Pará, que foi afetado por uma mega barragem há muitos anos, com 32.000 brasileiros deslocados. Dilma estava lutando para melhorar o acesso aos serviços públicos em sua comunidade.

Devemos proteger os defensores dos direitos humanos e da terra e desenvolver legislação vinculativa para garantir que os desastres da Samarco e Brumadinho, que foram repetidos em todo o mundo – mais recentemente na Sibéria, quando uma barragem de rejeitos desabou em uma mina de ouro em 19 de outubro – nunca possam acontecer novamente.

Autor: Tchenna Maso
Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Post Top Ad

Responsive Ads Here